Tom Coelho
voltar

“Se os textos lhes agradam, ótimo. Caso contrário, não continuem, pois a leitura obrigatória é uma coisa tão absurda quanto a felicidade obrigatória.” - Jorge Luis Borges

O SABOR DO SABER                em 09/03/2010

 

Tomei conhecimento a partir de um artigo do excelente Gilberto Dimenstein que 180 mil jovens com formação superior não foram suficientes e capazes para atender à demanda por 872 vagas de estágio e trainee em empresas brasileiras.

Reflexo da crise de nosso modelo educacional, estes números, tabulados no ano de 2002 pela pesquisadora Sofia Esteves do Amaral, indicam o abismo existente entre o que as escolas entregam e o que as empresas solicitam. A qualificação acadêmica está desalinhada da qualificação profissional.

É indiscutível que devemos promover uma “cruzada pela educação”. Vender a ideia da educação para o Brasil, colocando-a como prioridade, ao lado da saúde e da ciência e tecnologia, nas discussões orçamentárias e de planejamento estratégico nacional. Criar o conceito de responsabilidade educacional e infligir com a perda do mandato prefeitos que desviam recursos das salas de aulas para a construção de estradas e outras finalidades que lhes conferem capital político mais imediato. E investir no docente, sua formação e sua remuneração, pois a chave da boa escola é o professor.

Todavia, mesmo diante de toda esta breve argumentação, minha conclusão mais precisa é que o problema da educação está na escola que ficou chata, perdeu a graça, não acompanhou a evolução do mundo moderno. O aluno não vê aula, quando vê não presta atenção, não se aplica nos deveres de casa e vai mal nas provas. Lembra-me aquela máxima marxista: uns fingem que ensinam, outros fingem que aprendem. Esqueceram-se apenas de avisar ao mercado desta combinação.

São estes alunos que serão reprovados num simples processo seletivo. E serão eles que, gerenciando companhias ou decidindo empreender um negócio próprio, engordarão as já elevadas estatísticas de insucessos empresariais.

A educação perdeu o sabor. E é curioso constatar isso quando desvendamos pela etimologia que as palavras sabor e saber têm a mesma origem no verbo latino sapare. O conhecimento é para ser provado, degustado. É como se a cabeça (o estudar) estivesse em plena consonância com o coração (o gostar).

TOM COELHO - CONSULTOR - www.tomcoelho.com.br
Graduado em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP;
Curso de especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP;
www.tomcoelho.com.br

CLIQUE NO TÍTULO PARA LER OS ARTIGOS ANTERIORES

O Sexto Homem de 02/03/2010.
Aplicando 5S na Vida Pessoal de 13/01/2010.
Vida Associativa de 23/10/2009.
Sinais de Desmotivação de 11/09/2009.
Verdades e Mentiras de 12/08/2009.
A Fragilidade da Vida de 28/07/2009.
Quando Você não é Visto de 14/07/2009.
Anarquia Institucional de 25/06/2009.
Lições de Susan Boyle de 15/05/2009.
Terceirização de Vendas de 15/04/2009.
Fusões e Desemprego de 15/03/2009.
A Vida com Instruções de 04/02/2009.
Para que Servem os Críticos de 28/01/2009.
Marketing X vendas - Parte II de 19/01/2009.
Marketing X vendas - Parte I de 12/01/2009.
esoluções de ano novo de 22/12/2008.
Problemas pessoais no trabalho de 09/12/2008.
A incompetência das lideranças de 26/11/2008.
A crise e o cafezinho de 30/10/2008.
Como falar em público - parte II de 23/10/2008.
Como falar em público - parte I de 15/10/2008.
A socialização das perdas de 29/09/2008.
Inventores do além - 2ª parte de 19/09/2008.
Inventores do além - 1ª parte de 11/09/2008.